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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Mais Alsace: Ribeauvillé

Ribeauvillé ganhou meu coração muito fácil!

Como não amar essas cores, flores, uma ruazinha com vista a um castelo lá no topo da montanha cercada de vinhedos. 



Foi nesse cenário lindo que almoçamos. Não entendia bem o menú, mas uma coisa aprendi rápido, pedir a tarte flambée na Alsace é garantia de sucesso. É rápido, crocante, gostoso e o preço é bom: entre 8 e 10 euros.


Queria conhecer mais a culinária alsaciana, pensei em pedir o Baeckeoffe, mas o dia estava quente pedindo algo mais fresco, aí pensei num prato mais puxado para o lado alemão e não deu outra: choucroute!


Vinho na taça, mesinhas do lado de fora do restaurante sob a sombra de um parreiral, tudo muito bom, tudo muito bem, gravei esse vídeo para lembrar do lugar e tal:


De repente passa um rato! OMG, um rato! Ninguém se abalou, francesada blasé comendo. 

Pablo me acalmou, devia ser da rua, muitas construções antigas, bláblá, por sorte - ou não - eu já tinha terminado de comer e o bicho sumiu. Fiquei fazendo a francesa terminando o vinho.

Aí ele me diz: eu acho que o rato voltou e tá aqui embaixo!  

Uêpa! O suficiente para baixar a Daiane dos Santos e dar um duplo twist carpado da cadeira, fazer um passo de samba do crioulo doido. 

Mantive a finesse e não gritei, mas quando parei, vi que todo mundo me olhava: alguns assustados, outros visivelmente se divertindo, para o rato ninguém nem tchum.

O homem da mesa ao lado minimizou 'une ratatouille', bonitinho como o do filme, o casal da mesa em frente liberou as crianças para correr atrás do bichinho e tirar fotos. Vida que segue.


Pagamos a conta e saí ainda tonta com o susto que levei.

Começamos a subir a montanha que avistamos quando chegamos na vila, tinha muita gente fazendo isso, todo mundo preparado para o trekking, claro. 

Eu estava de sapatilha porque a última coisa que pensei para o dia foi trilha, mas fui devagarzinho numa boa até onde deu pra ir. 

E que recompensa maravilhosa, uma delicia a vista lá de cima! 


Descemos e encontramos um pub, talvez o único da vila, pausa para provar cerveja e olhar o movimento.



Antes de chegar ao estacionamento, uma parada para comer crepe de nutella. Pablo como estava dirigindo bebericava uma coisinha aqui, outra ali, mas com a comida não houve meio termo. Voltamos mais redondos e felizes.

Saímos de Ribeauvillé e fomos a Saint Hippolyte, queria umas fotos nos vinhedos que tínhamos passado mais cedo e encontramos a Fête du Vin Nouveau: inesperado e sensacional!

Era um pequeno festival com música, dança, comidinhas tipicas e vinhos.

Nada turístico, um clima de festa do bairro, dá para imaginar como chamamos atenção, né? 

Quase não tinha jovens e um monte de gente veio puxar conversa, achei tão queridos! Muitos se esforçando para falar inglês, inclusive.


Não me fiz de rogada, provei com entusiasmo o vin nouveau que estava sendo celebrado e também os outros vinhos e quitutes da região. 

De volta a Colmar corri para encontrar os restaurantes abertos, não contei que alguns não abrem aos domingos a noite rs, mas pude encontrar opções para escolher.

Mais tarte flambée, deixei o nojinho de lado e pedi também escargot, não é caríssimo como imaginei e não é ruim, não sei se pediria novamente, mas a experiência valeu para saciar a curiosidade.

Pedi também um prato esquisito com um purê de algo que não faço ideia, batatas e um queijo estranho rs. O restaurante era bem intimista, no meio da noite o rapaz que nos atendia começou a tocar piano, foi divertido.

Voltamos ao hotel e na segunda-feira pela manhã pegamos a estrada rumo a Strasbourg para devolver o carro e pegar o trem a Paris.

Nosso vocabulário básico de francês foi bem útil durante o tempo que estivemos lá, pedir informação começando com um 'bonjour' e um sorriso no rosto faz toda a diferença na resposta deles.

A viagem a Alsácia é mais que recomendada, uma viagem que mexe com todos os sentidos.

Abraço! ;)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Um fim de semana na Alsace: Saint Hippolyte e Colmar

Estrasburgo e Colmar estão distantes apenas 70 e alguns quilômetros, você pode escolher fazer esse caminho passando pela rota do vinho ou pela rodovia comum.

Como nos estendemos no passeio em Estrasburgo, escolhemos a opção mais direta.

Já quase chegando a Colmar decidimos entrar na route des vins d'Alsace: eu precisava ver os vinhedos, estava como criança esperando a hora de abrir os presentes de Natal, uma ansiedade e alegria por descobrir se era verdade tudo que tinha lido nos guias.


Ó, não me decepcionei nem por um segundo! Que beleza, gente! Uma imensidão verde, vinhedos a perder de vista e a estrada cortando as plantações, não há cerca, tela, nada separando as uvas dos viajantes. São como cidadezinhas dentro de vinhedos!

Estacionamos em Saint Hyppolite e saímos andando, quantas casinhas coloridas e floridas! 

Pouco movimento nas ruas, se não fosse o encanto e charme do lugar, poderia até pensar que era uma cidade não habitada tamanha quietude.



Aliás, era tudo tão perfeito, limpo, organizado que parecia uma cidade cenográfica!

Paramos também na estrada, andamos pelos vinhedos, tiramos fotos, demos risadas.



Quando finalmente chegamos a Colmar, demos uma volta na cidade e fomos ao hotel  fazer o check in por volta das 20h. 

Escolhemos o Roi Soleil Prestige Hotel, excelente estrutura, bom preço a nível França, mas uma localização péssima.

Impossível ficar hospedado lá sem carro, fica na zona industrial, na entrada de Colmar. De carro em 10 minutinhos chega-se ao centro, o GPS será seu melhor amigo. 

Estavamos empolgadíssimos para jantar em algum lugar legal, era nossa primeira noite na Alsace, terminar o dia incrível em grande estilo, né?

Um balde de água fria quando nos disseram na recepção do hotel que tudo já estaria fechado na cidade. Mas como assim fechado às 22h de um sábado? Uma cidade turística e todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite.



Fui pagar para ver: os poucos estabelecimentos ainda abertos não aceitavam mais clientes. Não tinha absolutamente nada aberto, nem lojinha de posto de gasolina, nem barraquinha de cachorro-quente pós balada, nada. 

Vimos um restaurante de comida japonesa com a luz acessa, eles ficaram com pena da gente e aceitaram montar alguma coisa para o take away: salvaram a noite! 

Terminamos sentados na praça da La Petite Venise rindo e comendo sushi. Na França, fronteira com a Alemanha, comendo comida japonesa no banco da praça vazia de nome italiano. 

Ah... viver é bom! ;)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Um fim de semana na Alsácia: Strasbourg

Viajamos sem a pretensão de conhecer todas as vilas, visitar todas as atrações ou fazer toda a rota do vinho, seria impossível com o pouco tempo que estivemos lá.

Nossos planos eram mais simples, queríamos apenas aproveitar um lugar diferente, fazer um passeio bacana, namorar um pouquinho, admirar paisagens, comer e beber bem. 

Sem muitos compromissos turísticos na agenda mesmo.

Focamos num trecho da Alsace para passar o fim de semana, ali na região entre Colmar e Saint Hippolyte. 



Essa decisão permitiu que fizessemos uma viagem rápida, mas sem correria, está tudo muito perto, cada vila está separada por pouquíssimos quilômetros e muitos vinhedos, então íamos de um lado a outro - dentro dessa área que definimos - com muita facilidade.

Pegamos o trem em Paris com destino a Strasbourg, a capital da Alsácia,  lá tínhamos um carro alugado na Hertz e a ideia era ir descendo pela rota do vinho até chegar a Colmar onde tinhamos reservado hotel por duas noites.

Strasbourg não estava no roteiro, mas quem disse que resistimos aos encantos dela?

Chegamos no sábado às 9h, retiramos o carro e antes de pegar a estrada pensamos em dar uma voltinha no centro, conhecer pelo menos a catedral e ver umas casinhas coloridas. 




Levamos umas 5 horas passeando, paramos para tomar café no coração da Le Petit France e nos perdemos caminhando pelas ruazinhas.

Passamos por feira de bairro, feira de antiguidades, morri com várias padarias e todos os pães e baguetes expostos, barraquinhas vendendo bretzel e crepes, comia tudo que via pela frente sem me preocupar com as calorias. Estava feliz, muito feliz.






O movimento de turistas e artistas de rua ia aumentando gradativamente, e aos nossos olhos uma mistura de França e Alemanha encantadora.

A região da Alsácia foi por séculos alvo de disputas e guerras entre ambos países: foi anexada a França na época de Louis XIV, depois foi reunificada a Alemanha após a Guerra Franco-Prussiana de 1870, o jogo virou e esteve sob o domínio alemão até o final da Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha a cedeu de volta à França no Tratado de Versalhes.

Eu senti esse iô-iô histórico muito presente em tudo que vi, a referência francesa e alemã está em todos os lugares: na arquitetura, culinária, linguagem do povo, religião, etc. 

Encontrar escargot e choucroute no mesmo cardápio é moleza, pessoas falando francês-alemão também. Eles produzem vinho e também cerveja.

Já impressionados com tanta riqueza histórica, nos deparamos com a Catedral de Estrasburgo - Cathédrale Notre-Dame-de-Strasbourg - e sei que não vou conseguir descrever nem um tiquinho da emoção de estar ali.



Precisei tocar para me convencer que era tudo de pedra...


                         
Não sou muito religiosa, não sou de ficar mega impressionada com igrejas, mas a catedral mexeu comigo. 

Mexeu de um jeito que apesar de todo o fuzuê da turistada, eu quis parar e agradecer. Ascendi uma vela numa igreja pela primeira vez na vida e rezei. 

A catedral é incrível e diria que vale a pena ir a Strasbourg só para conhecê-la. Tudo é impressionante, cada detalhezinho é belo. 

O interior da catedral conta ainda com um relógio astronômico que me deixou hipnotizada mesmo sem assistir o espetáculo que ocorre às 12:30:
"Um anjo faz soar o sino e outro gira a ampulheta. Nesse momento, quatro personagens começam a se mover, passam pela morte que faz soar um sino de prata, marcando o quarto de hora: a criança, o jovem, o adulto e o velho.
No último andar, os 12 apóstolos desfilam diante do Senhor. Quando é a vez de Pedro, o galo, que fica pousado à esquerda do relógio, no alto, bate as asas e canta. Faz isso três vezes." Fonte: O Globo. 

O Youtube salvou minha curiosidade, achei esse vídeo com o relógio em movimento:
          

E quem ainda tiver fôlego, pode subir as escadarias da altíssima torre gótica - uns 300 e poucos degraus, rá! - e apreciar a cidade do alto. Não duvido que vale muito a pena.

Deixamos a fantástica Strasbourg e caímos na estrada!

Continua...