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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Valeu a pena ir para Dublin?

Sempre me surpreende receber e-mails ou comentários no blog, o pessoal que aparece aqui geralmente não é muito de interagir. 

Daí que nas últimas semanas tenho recebido consultas sobre a vida em Dublin, em comum as pessoas querem saber: e aí, valeu a pena?

E eu fico um pouco desconcertada porque sei que esse valeu a pena envolve muitos aspectos, em especial o aprendizado na língua estrangeira. Basicamente as pessoas querem saber se eu voltei fluente depois dos 6 meses de curso.

E aí entra a primeira dificuldade: o que é fluente para você?

Hoje estava lendo um texto da Bá, professora de inglês e blogueira no Barbaridades, que veio a calhar com esse tema e acho que se você está pensando em fazer intercambio, deve mesmo dá uma lida nesse material.

É fundamental ter um objetivo em mente, principalmente se você tiver um inglês precário, pois manter o foco após a chegada na Irlanda será uma das principais barreiras que você irá enfrentar. 

Será muito fácil ceder ao que é fácil. Será muito fácil ficar numa zona de conforto e não se arriscar. E ninguém quando faz um planejamento de intercambio pensa em gastar toda essa grana para ficar acomodado e não viver novas experiências, né?

Quando digo que fico desconcertada para falar do intercambio é porque não sinto que me enquadro tanto no perfil de intercambista, eu viajei já formada, independente, perto dos 30, casada, a Irlanda seria o terceiro país que viveria fora o Brasil.

Queriamos sair da rotina, experimentar, viajar e como meu inglês era muito ruim, a ideia de ir a um país de língua inglesa casou bonitinho, iamos viver novos ares e eu ia aproveitar para dar uma melhorada no idioma.

Nesse sentido, coloquei como objetivo perder a vergonha de falar inglês e prestar o FCE após um ano de vida em terras irlandesas. Pensei com meus botões que era o requisito que todas as ofertas de trabalho que eu me candidatava exigiam e eu não cumpria. 

Eu não fiquei um ano certinho em Dublin, tampouco prestei o FCE ou perdi a vergonha de falar inglês. 

Mas avaliando a minha história, valeu muito a pena, faria novamente por todo o pacote que vivi e aprendi. Aliás, até hoje existe a dúvida do voltar ou não voltar a ilha.

Agora avaliando friamente a questão linguística: não, eu não precisava ter saído de casa para estar com o inglês que tenho hoje. 

Eu poderia ter investido todo o dinheiro do meu rico trabalhinho num curso de inglês da escola do bairro e passado um tempo conquistaria o mesmo nível que tenho hoje, que não é aquele inglês porretão que as pessoas costumam imaginar quando sabem que alguém morou fora, longe disso inclusive. 

Acho um mito acreditar que só o fato de morar fora vai te deixar fluente no idioma, seria lindo se a gente aprendesse tudo apenas por osmose, mas ó, tem que sentar a bunda e estudar, seja no Brasil ou na gringa.

Hoje consigo entender que a diferença entre o meu aprendizado no espanhol e inglês é marcada pela dedicação que dei a uma e outra língua, estudei muito mais espanhol do que inglês e esse detalhe é perceptível na minha forma de falar os idiomas, independente do fato de ter morado três anos num país de língua espanhola ou 10 meses num país de língua inglesa.

Se é possível alcançar um objetivo em 6 meses de curso? Depende do que você se propõe! 

Só você vai poder correr atrás e dizer, mas tendo a chance nas mãos, é gostoso fazer valer a pena.

Abraço! ;)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

De volta pra casa

Não tinha uma rotina propriamente de estudante, mas tinha um visto de estudante, né? 

Aí não escapei de viver aquela dúvida do renovar ou não renovar.

Ficar na Irlanda ou voltar para casa era um tema constante, tão constante que chegou um momento que ficou chato.

Já não tinha como avaliar, já não tinha como comparar: qualquer opção oferecia uma perda e ganho, restava apenas escolher o que a gente queria perder e ganhar.

Chegamos ao final de novembro sem saber exatamente o que fazer, tudo ainda estava em aberto. 

Colocar um ponto final nessa aventura em terras verdes dava quase tanto trabalho quanto os primeiros passos dessas história: precisavamos chegar a um acordo sobre a entrega do apartamento, remarcar as passagens de volta, cancelar contratos, encerrar conta bancária, etc.

Com uma dose extra de paciência conseguimos resolver esses temas, difícil mesmo foi assimilar tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo: era isso mesmo que a gente queria? 

Tinha hora que estava absolutamente decidida, era o que mais queria na vida, uma ansiedade imensa e queria mais era estar entre os meus. Mas havia períodos que achava tudo ao meu redor o máximo e ficava dividida.

Acho que não poderia ter sido diferente, a vida em Dublin era muito boa! Não estavamos desistindo porque não deu certo, apenas estavamos indo atrás de outras coisas que ficou em outro lugar.

Eu estava com muita saudade, sentia falta da família e amigos e até de coisa besta como o cheiro do pão da padaria da esquina, sabe rs? 

E já não era uma saudadezinha, parecia que era a primeira vez que tinha saído de casa! Logo eu que sempre me achei tão do mundo, vai entender...

Somado a isso tinha a questão do visto, desde o principio pensamos em pedir o stamp 4, cumpriamos todos os requisitos, mas fomos lerdos em setembro a legislação sofreu alterações e apesar de cumprir com os novos requisitos, não tinhamos a documentação para provar a tal da convivência por 2 anos. 

Basicamente nunca pensei em levar as contas e cartas do passado para a Irlanda, provando que viviamos sob o mesmo teto há tanto tempo rs. E aí desanimei. 

Não queria renovar o visto de estudante. Até queria fazer mais aulas de inglês, só que não por 6 meses. 

Outra saudade era minha rotina de trabalho, queria voltar a viver aquele zumzumzum de escritório. Louca, só pode!

Até consegui entrevistas para empregos que me deixariam tranquila em Dublin. Tenho um e-mail da agência avisando que se eu conseguisse o stamp 4 (tinha dito que estava correndo atrás) provavelmente seria chamada.

Fiquei naquela "maldito stamp 4 da depressão", mas ok hehe.

Fico falando 'eu, eu, eu' porque o blog é meu. Mas meu companheiro (ai que possessiva rs) estava mais ou menos assim também. Não com tanto mimimi de saudade de casa e sofrendo por emprego ou visto porque ele tem o passaporte vermelhinho e tinha um emprego excelente.

Finalmente acabamos batendo o martelo para a volta, a Irlanda estaria no mesmo lugar caso mudássemos de ideia... e voltamos! ;)


Abraço (suado, porque aqui tá fazendo 40°) ! 

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Decoração de Natal em Dublin

Dezembro ainda nem chegou e a cidade já está cheia de luz e decoração de Natal.

          
                     
Fico com a sensação que o ano passou rápido demais e estou acostumando com a ideia aos poucos.

As vezes acho que bloqueio um pouco a celebração por estar longe dos meus, é como uma proteção para aliviar a saudade de não ver a mesa cheia - de gente e comida, de não escutar as histórias repetidas da família, as gargalhadas, sentir aquela troca de abraços sinceros e apertados.

Apesar desse lado meio borocoxó, ver o movimento do natal tem sido bem divertido, insisto em achar que estou vivendo num filme rs. Só falta cair a neve para eu sair saltitando e dançando pelas ruas!

Contei a um irlandês que na Bahia era normal fazer neve de mentirinha para a decoração num calor de quase 40° e ele achou hilário. 

Pensando bem, é estranho mesmo incorporarmos tantos elementos fora da nossa realidade - e clima - na festa.

Mas não quero divagar rs, quero mostrar como Dublin está toda bonitinha iluminada, com árvores de natal, coisinhas em verde e vermelho, papai noel, bonecos de neve e afins em vários lugares.




                                    
Não tirei fotos, mas a sede dos correios na O'Connel está linda demais! ;)

Há também uma boa quantidade de eventos acontecendo na cidade, dá para conferir a programação nesse link.

E a tradicional feirinha de natal que ocorre todo ano lá nas docks terá inicio no dia 12 de dezembro. 



                                    Minhas fotos do cel X As fotos do Pablo! :P


Abraço! ;)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

9 meses na Irlanda

Segundo o dito popular é quando você vê o resultado, né? :P

Pois bem, fiquei com isso na cabeça, mais precisamente com a voz infernal do compadre Washington se repetindo em meu juízo.

Talvez esse seja nosso último mês aqui e aí fica quase impossível não cair naquela conversa de avaliar essa aventura.

A experiência de morar em Dublin foi muito mais intensa do que eu esperava antes de viajar e sou grata a tudo que vivemos, tivemos nossos perrengues e alegrias, muita coisa não saiu como planejamos e precisamos descobrir outras possibilidades, ceder, dividir, ter mais paciência,  e tudo isso proporcionou um aprendizado enorme.

Já me achava madura demais para esse papo de intercambio, sabe? Pensava que seria apenas uma mudança de cidade, de ares, outro contato com uma cultura diferente, não caberia espaço para dramas de adolescente, mas que nada rs! 

Eu mudei, cresci e constatei que nada sei. E na boa, isso é lindo! Isso por si só já valeria a pena ter cruzado um oceano e raspado todas as economias do cofrinho.

Me permitir conhecer e viver a Irlanda foi uma das melhores decisões da vida!

Muita gente me pergunta e o inglês? Aliás, coisa chata quem vive perguntando sobre o inglês alheio. Não que o idioma seja um fator menos importante nessa história toda, definitivamente não é. Cheguei aqui com o objetivo de estudar também.

Minha relação com o inglês é tensa, sempre foi. E eu me enganei - mais uma vez rs - achando que pisaria aqui e passaria a amar a língua. 

Não esperava sair fluente depois de poucos meses porque não sou louca rs, mas achava que estaria numa especie de 'período sabático' sem espaço para preocupação com 'carreira, especialização, casa própria, filhos' e assim seria fácil focar apenas nos estudos.

Pois bem, não foi fácil e perdi o foco muitas vezes. Mas se eu comparar minha capacidade de interagir com as pessoas no dia que desembarquei em fevereiro com o entendimento que tenho hoje, é notório que houve um avanço. 

Já fiquei muito noiada com a questão do inglês, o ideal mesmo seria ter chegado aqui do jeito que estou agora, mas essa não era minha realidade, né? Não vou ficar chorando as pitangas, vou é seguir insistindo, tentando melhorar essa relação.

Oh, acabei transformando num post de despedida, não era a intenção, imagina se apareço daqui uns dias dizendo: renovei e/ou casei!? 

O post ficou grande, mas para não perder o costume dos tópicos:

- Um mês e pouquinho sem a rotina da escola (p.s. me acho tão menininha falando escola, gente!), as vezes sinto até saudade.

- Começamos a alugar o quarto para períodos curtos e achei o máximo conhecer tanta gente e histórias diferentes, dividimos o teto temporariamente com pessoas dos EUA, Austrália, Alemanha, Itália, Argentina e Irlanda. 
Muitos dos flatmates vieram a turismo e alguns em busca de novas oportunidades de trabalho, tantos causos que daria um post. 

- O outono foi a coisa mais maravilhosa do mundo, ok ainda estamos no outono, mas a paisagem já está tomando mais forma de inverno. Tudo ficou lindo demais e eu boba admirando todas as cores, milhares de fotos de árvores e folhas no meu celular haha. 


- O frio chegou, os dias estão mais curtos, a gente fica com essa impressão porque anoitece às 16h e é estranho.

- Com o frio dando as caras tive que ir às compras! Fui atrás de cachecóis, luvas, gorros, meias, botas, casaco, tudo quentinho. 
Apesar de ter um monte de loja com preço camarada por aí, não cedi a tentação e adquiri pouca coisa ao longo dos meses. Não nego que aproveitei bastante esse momento luluzinha, capaz ainda escrevo sobre minhas lojas favoritas hehe.

- A decoração de Natal tomou conta da cidade, fui pega de surpresa, basicamente um dia era Halloween e no outro Natal. #exagerada
Falando no Halloween, foi uma das semanas mais divertidas na Irlanda! Todo mundo fantasiado, muitas festinhas e eventos, muitos doces, é uma tradição irlandesa e o Rick comentou mais da celebração nesse link.

                                                
Para a diversão deles eu sou lerda e me assustei umas 85341 vezes! #fofuras

  
Vou ficando por aqui sem saber se terá o "10 meses"...

Abraço! ;)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um passeio em Kildare Village

Eu não sabia que havia um outlet a céu aberto aqui na Irlanda até as meninas me convidarem para ir lá fazer as compras de natal.

Aliás, não tinha realizado nem que o natal já está dando as caras com muitas luzes piscando e decoração verde e vermelha por aí hehe.

Topei o passeio na hora, mais animada por passar a tarde tricotando com as meninas do que pelas compras em si. 

Porque pensei tudo bem que é um outlet, prometem descontos e tal, mas ainda assim são coisas caras, ou você acha que vai comprar Ralph Lauren, Reebok, Calvin Klein por 20, 40 ou 50 euros?

Errr... sim! Foi bem isso que encontrei! Minha maior barganha foi um casaco por 14,40 euros.

E aí todo meu discurso de pessoa não consumista foi pras cucuias (me julguem), na verdade podia jurar que estava até economizando, afinal precisava mesmo de tudo aquilo (oi inverno!) e se comprasse em outro lugar sairia mais caro, simples assim.

Tinha muita gente lá, nada muvucado, mas era muita gente em todos os lugares. As filas eram constantes: fila para estacionar, fila para comprar café, fila para pagar, fila para usar o banheiro, fila para sentar e comer.

Me falaram que não é comum todo esse movimento nem preços realmente baixos, acho que o cupom mágico que tínhamos à mão provocou tudo isso: um voucher válido de 14 a 17 de novembro que dava mais 20% de desconto em todos os estabelecimentos.

A vila de Kildare é uma graça, são cerca de 60 lojas e você encontra nomes como Levi's, Lacoste, Superdry, Tommy Hilfiger, Coach, Hugo Boss, Nike, etc. 

São várias casinhas bonitinhas uma ao lado da outra, muito mais agradável do que uma estrutura de shopping fechado, e a decoração natalina deixou tudo  ainda mais fofo.





Fechamos a tarde luluzinha com um almoço maravilhoso no restaurante italiano, o único da vila.

Quem quiser conhecer a Kildare Village, há um serviço de ônibus que sai do centro de Dublin (dá para reservar no site), também é possível ir de trem desde Dublin Heuston a Kildare Town.

Abraço! ;)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Repeteco no Glendalaugh Park e um pulinho em Kilkenny

De todos os lugares fora de Dublin que eu escrevi no blog "quero voltar lá" o único que realmente voltei até agora foi o Glendalaugh Park. 

Não foi por acaso, achei o lugar o máximo e vivia buscando uma desculpa para ir lá novamente.

E a desculpa apareceu, uma amiga de Salvador chegou em Dublin há pouco mais de um mês e tenho aproveitado para turistar e falar muito baianês com ela.

Alugamos um carro no domingo e fomos passear! Vocês ainda me aguentam falar de como é lindo esse país? Pois é, difícil não repetir mil vezes quando a gente sai de casa e encontra uma paisagem assim:



Ando encantada com as cores do outono, ando encantada com a passagem das estações.

Quando vi que a previsão do tempo dizia "sol", me empolguei e preparei vários quitutes para fazer um piquenique. Empolguei demais, porque o sol até apareceu, mas estava frio, muito frio mesmo.

Resistimos, compramos chocolate quente - no verão a fila era para sorvete, impossível não lembrar que estive ali de short e camiseta com tanto calor que queria nadar no lago - e comemos nas mesinhas do parque: tão bucólico, tão cena de filme rs.


Ficamos de bobeira falando da vida, pedimos outro chocolate quente, caminhamos entre as folhas amarelinhas caídas e decidimos pegar a estrada de novo.

Já estava um pouco tarde para ir muito longe, mas cismei cismamos em ir a Kilkenny.

Sabiamos que ficaria corrido, mas arriscamos assim mesmo. Nos perdemos no caminho, cadê sinalização? Cadê sinal do GPS funcionando? Cadê bateria do celular? Depois de algumas voltas achamos a direção correta e chegamos em Kilkenny.

Que graça de lugar! Dois minutos na cidade e eu já queria morar lá! Sou assim exagerada quando gosto hehe!



Andamos pelo centrinho fofo e fomos ao castelo fazer a visita, mas faltava poucos minutos para fechar e só pudemos ver do lado de fora, uma pena! 

Para não falar que não vi nada do interior do castelo, fomos ao banheiro e na saída ficamos trancadas. Gente, que aflição! Subi com minha amiga e Pablo ficou lá no jardim esperando, quando voltamos não tinha mais ninguém ali. 

Ficamos presas no pátio do castelo até o segurança aparecer e encontrar a chave! Fiquei super sem graça achando que ele ia ficar bravo e reclamar, mas do banheiro não escutamos nada informando que estava fechando as portas! Por sorte o rapaz era simpático, fez graça e ainda ficou perguntando da onde a gente era, se moravamos aqui, etc.

Livres, andamos mais, encontrei uma espanhola que estudou comigo fazendo um tour na cidade, tiramos mais fotos, em vários lugares víamos referências ao hurling (um esporte irlandês), mas acabamos entrando num pub que tinha um quadro com uma camisa da seleção brasileira autografada por Pelé e do lado outra da Argentina autografada por Maradona!

Jantamos por aí e pegamos a estrada rumo a Dublin, dessa vez sem se perder no caminho.

O passeio foi um bate-volta corrido, desses que eu costumo criticar evitar, mas valeu a pena, nos divertimos. 

Cismei que precisava ir porque conheci Kilkenny antes de pensar em pisar na ilha esmeralda, esse era o nome do primeiro pub irlandês que eu visitei quando viajei a Buenos Aires em 2009. 

Foi lá onde provei - e odiei - a Guinness pela primeira vez. Hoje a cerveja irlandesa é minha queridinha e o país minha casa.

Já tinha visto antes, mas voltando de Kilkenny vi de novo uma placa de venda de imoveis com o nome do meu avô, fiquei curiosa porque é um nome estranho, pouco comum (Fenelon, sempre achei que ele fosse o único), busquei no Google o significado e algumas fontes dizem que é um nome irlandês.

Eu ri porque agora a Irlanda anda aparecendo ou se conectando com tudo em minha vida...

;)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Dublin Castle

Contei que estamos sem saber o que fazer: voltar ou ficar mais um tempo na Irlanda.

Aí a ficha caiu que a tal volta pode ser já dentro de poucas semanas!

Corri para fazer uma lista do que precisava ver antes de partir (dramática) e vi que ainda tinha muita coisa, vários passeios que não tivemos pressa nenhuma para fazer, sempre com aquela pretensão tranquilidade de quem tinha uma vida pela frente, sabem como é?

Aproveitamos o último feriadão - que coincidiu com os festejos do Halloween - para sermos turistas e um dos passeios que fizemos foi a visita guiada no Dublin Castle.

Comecei a visita com poucas expectativas, não pensei que encontraria informações tão ricas, terminei aprendendo muito sobre a história de Dublin - basicamente a cidade foi construída em volta do castelo - e me surpreendi do inicio ao fim do tour!


Pegamos a última visita guiada do dia e subimos com o guia e um grupo de umas 30 pessoas. 

Na primeira parada ele explicou o que acontece atualmente no castelo, contou sobre personalidades políticas que já se hospedaram ali, como o Nelson Mandela, e comentou rapidamente sobre símbolos irlandeses que vemos nos cômodos.

A parada seguinte foi no quarto de James Connolly, as paredes são vermelhas e tem quadros homenageando os lideres revolucionários de 1916. 


Passamos por outros quartos, salões, corredores, fiquei impressionada com a beleza do castelo, mais uma vez não esperava, acho que vi tanta gente falando que a visita era mais ou menos que inconscientemente fui achando que seria tudo muito chato comum.





Na sala do trono o que mais me chamou a atenção foram os símbolos representando a Inglaterra, Escócia e Irlanda. Me distraí olhando o lustre e ficamos para trás, tinha um outro grupo por ali também, aproveitei que o pessoal estava se acomodando no outro salão para tirar uma foto do trono sem tantas cabeças aparecendo, quando viro de novo... wtf?


Umas criaturas espanholas passaram a cordinha e SENTARAM no trono para tirar uma foto 'cool' e postar no facebook. Porque a foto só da cadeirinha que simboliza acontecimentos do século XVIII não é suficiente, né? 

Fui a chata do museu olhando com cara de reprovação, os pais das meninas viram minha cara e também olharam para trás, quase tive um treco quando a mãe achou legal e correu para sentar lá, Claudia!

Torci para aparecer um segurança, torci para eles passarem vergonha em público, mas nada aconteceu, eles seguiram pentelhando até o final da visita.

E por fim chegamos ao St. Patrick Hall, a parte que achei mais interessante dentro do castelo. 

O salão é enorme e tem várias bandeiras com os brasões dos cavaleiros de St. Patrick. No teto estão 3 pinturas incríveis de Vincenzo Valdre representando a relação entre o Reino Unido e a Irlanda.



Descemos as escadas e do lado de fora o guia contou sobre o dia que a posse do castelo foi dada a Michael Collins e a celebre resposta dele quando cutucado por chegar atrasado: "esperamos 700 anos, vocês podem esperar 7 minutos". 

Pegando embalo no clima do Halloween - e na decoração do Festival Bram Stoker que teve eventos nessa área do castelo - ele também contou uns casinhos de terror, buh!

Ainda no pátio, fiquei intrigada com a estatua da justiça, minha velha conhecida! Explico: tinha uma Têmis - deusa que nós do meio jurídico tendemos a associar com a deusa da justiça - enorme no meu quarto, ela ficava toda bonita comandando minha mini biblioteca de Direito. 

Comprei no começo da faculdade, por muitas vezes ela foi minha companheira de estudos. Dá para entender como fiquei boba olhando a versão do castelo sem os olhos vendados e de costas para a cidade! Um sentido de justiça realmente irônico.


Logo nos dirigimos à Medieval Undercroft, lá pudemos ver vestígios do forte viking, da muralha medieval e da Powder Tower. É surreal imaginar as circunstâncias em que essas coisas foram construídas.

Com o fim do tour fomos conhecer o jardim e fiquei com vontade de voltar para conhecer também a Chester Beatty Library. 


A visita guiada custa 3,50 euros para estudante. Dá para fazer a visita com o audioguia também, mas nesse caso não tem acesso a undercroft. 

O Dublin Castle fica na Dame Street, pertinho da Trinity College, ali no centrão mesmo da cidade.

Abraço! ;)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Hambúrguer com coisinhas mais

Quando pensava em hambúrguer, pensava na tia da esquina da escola, tudo muito simples e barato, nada muito glamouroso.

Aí cheguei em Dublin e vi que ir ali comer um hambúrguer pode ter todo um conceito envolvido.

O lugar mais legal que conheci foi o Eddie Rocket's, a decoração é sensacional, fiquei me sentindo num filme de sessão da tarde.


Só falta a garçonete nova e desastrada cair no meio do salão derrubando todo o milk shake para o cenário ficar completo.

A Eddie Rocket's tem em vários pontos de Dublin, mesmo preferindo mil vezes andar na rua do que em shopping, fui na Eddie do Dundrum e gostei bastante.


O outro lugar que estava cheia de expectativa para ir era o Gourmet Burguer Kitchen que também dá pinta em diferentes pontos da cidade.

Tinha lido matérias em blogs falando do sucesso da mistura do clássico hambúrguer e produtos mais finos.

Então lá fui eu atrás do hamburgão com queijo camembert ou creme de gorgonzola e mix de folhas. O lugar é legal, o atendimento também, mas o hambúrguer mesmo não vi nada tão impressionante para a proposta que vendem.

Pablo é meio cri cri com gordura e já na primeira mordida comentou que a carne não estava aquela maravilha toda. Meu paladar é menos refinado e só achei a carne um pouco seca.

Pô, tanta firula no sanduba e a carne que deveria ser o diferencial estava sem graça e com qualidade questionável. Mas ok, o conjunto estava bom, os outros ingredientes meio que salvaram.


O hambúrguer não é baratinho em nenhum dos dois lugares. Na Gourmet Burguer Kitchen as opções que escolhemos custou 10 euros cada, sem a bebida incluída. Na Eddie Rocket's há opções e combos um pouco mais em conta.

Não sei se voltaria (a Eddie talvez sim), não é meu lanche de todo dia, como pouco essas comidas de fast food, quando muito 2 vezes por mês.

Já Pablo saiu convencido que é mais feliz e rico numa Burguer King da vida hehe.

;)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

8 meses na Irlanda

Parece que cheguei ontem, mas passaram-se oito meses. Oito.

As coisas foram ficando mais normais e eu já não dou uma palestra quando a família pergunta e aí, como está a vida.

Minhas respostas agora são bem mais sucintas, quase sempre digo tudo tranquilo por aqui e pronto.

Nesses 8 meses finalmente terminei meu curso, pedi algumas semanas de férias e só em outubro pude encerrar essa etapa.

É estranho não ter a rotina das aulas. É estranho pensar que acabou e avaliar o que ficou disso tudo. 

Cheguei em Dublin com um inglês pobre, muito pobre e parei as aulas na turma do upper.

Ainda não tenho toda essa segurança para sair falando. Comparo quando mudei a Montevideo, cheguei lá com um nível de espanhol que seria upper, após 6 meses já fazendo faculdade, trabalhando, continuava morrendo de vergonha de falar. Então não sei até que ponto é maluquice da minha cabeça ou problema com o idioma mesmo.

Para descontrair, meu melhor mico em inglês nessa ilha: sempre me pedem a identidade para comprar bebidas alcoólicas, tão jovem. Aí um dia estava no super e o caixa pediu minha ID, eu juro que entendi idea e fiz cara de inteligente perguntando about. HAHAHA.

Nossas passagens de volta estão marcadas para dezembro, não voltaremos em dezembro porque vamos fazer um mochilão, e a grande dúvida é para quando alterar as passagens. Simplesmente não sabemos! Aquele momento que todo mundo fica balançado entre renovar ou voltar já chegou pra gente.

No meu caso não seria renovar o visto de estudante, se ficarmos mais um tempo irei solicitar o stamp 4 (Pablo é cidadão).

Quero ir e quero ficar. Quero ficar e quero ir. Uma loucura!

E com a possibilidade de colocar um ponto final nessa aventura dá um desespero pensar no tanto de coisa que ainda quero visitar na Irlanda. 

Conhecemos muitos lugares fora de Dublin - e recomendo que você intercambista se permita conhecer esse país - mas falta muitos lugares.... ó, vou ali fazer uma lista  hehe.

 Beijo!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

For Sale!

Um belo dia recebemos uma carta informando que o landlord tinha perdido a propriedade por não pagar a hipoteca ao banco e a administração do imóvel agora pertencia a imobiliária X.

Ele nunca, nunquinha nos atendeu, dessa vez não foi diferente, tentamos contato com a pessoa que fechamos o contrato, ninguém sabia de nada e ficamos aguardando um retorno. 

Dias depois comunicaram que o landlord estava possuído pela ragatanga e que não tinha perdido propriedade nenhuma, que continuassemos depositando o aluguel na conta dele.

Passamos o recado à suposta nova imobiliária que também ficou louca da periquita dizendo que tinha toda a documentação do banco e que deveriamos pagar o aluguel na conta indicada. E mais, que resolvessemos o tema do depósito com o digníssimo ex-proprietário.

Aí foi minha vez de rodar a baiana, porque né? A pessoa que sempre foi omissa, perdeu um apartamento maravilhoso, iria se importar agora em devolver dinheiro para garantir o resto do contrato com os outros!?

Foram tempos de disse-me-disse até que resolvemos tudo direitinho, o landlord concordou com a medida do banco e o último mês de aluguel não pagaremos, ficará por conta do depósito.

Então perguntaram se queríamos comprar o imóvel, como se tivéssemos muitos euros na conta de bobeira. Com a resposta negativa, pediram nossa colaboração para a venda e agendaram um dia para mostrar o apartamento aos interessados.


Eu tinha esquecido que aqui na Irlanda um monte de gente visita ao mesmo tempo e de repente vi minha casa cheia de irish, foi divertido!

O corretor chegou primeiro, pediu mil desculpas pelo inconveniente e que tentaria ser rápido, elogiou bastante o apartamento, a organização e limpeza, não sei o que ele esperava encontrar, mas ele ficou visivelmente feliz, dava pra ver uma nuvenzinha de "vou vender facinho" na cabeça dele.

Logo chegaram os interessados, umas 12 pessoas! Todos que entraram me pediram desculpas por invadir minha privacidade, achei muito educado.

Depois fiquei me sentindo respondendo perguntas, tinha gente que queria saber se o pub que fica aqui embaixo é barulhento, outros perguntavam dos gastos mensais, alguns ruborizados questionavam se tinha algo quebrado, se eu gostava de morar aqui.

A visita acabou e o corretor disse que algumas pessoas chegaram atrasadas, se poderiam subir. Disse que sim, estava achando o máximo falar com tanta gente num dia comum que ficaria na internet.

Chegou o outro grupo, mais pedidos de desculpa, mais perguntas. 

Uma mulher veio com os pais, eles viram minha gramática, perguntaram se eu era estudante, elogiaram meu inglês (achei fofo, apesar de ser mentira haha). 

Outro rapaz escutava o corretor dizer que a única palavra que sabia em português era "obrigado", aí ele entrou no papo, começou a falar do Brasil, que parecia lindo, que devo sofrer com o clima daqui e quando foi embora agradeceu com a palavra nova que aprendeu. Fofo também!

Depois chegou um casal, a dona olhava tudo milimetricamente e falei que se ela quisesse poderia abrir os armários, ela disse que comprava muitos apartamentos como esse e já conhecia, ah tá, ryca!

O marido dela estava hipnotizado com a tv, me fez algumas perguntas e quando eu disse que era do Brasil ele ficou impressionado, nunca tinha conhecido ninguém do Brasil assim de perto! 

Fiquei com vontade de perguntar se ele nunca andou no centro de Dublin. 

O senhor esqueceu a tv, não sem antes me perguntar se eu via muitas coisas do Brasil nela, não sei o que ele pensava - novela, futebol, filme, noticias? - mas respondi que via um pouco de coisas do Brasil.

Ele ficou me olhando com uma cara de quem descobre um mundo novo, não, ele não estava me paquerando. Era aquela coisa Sergio Chapelin "quem são eles? Como eles vivem? O que comem? O que fazem? Logo mais no Globo Repórter!".

A mesma cara tonta que eu fiz quando conheci uma menina de La Réunion, num primeiro olhar parecia tão exótico! Nunca tinha conhecido ninguém de lá, na verdade nunca tinha pensado na vida do lugar, de repente estava imaginando como era a ilha, a rotina local, o que fez ela ter escolhido a Irlanda.

Essa sensação é única, o click de uma realidade tão distante, diferente e ao mesmo tempo igual. Sentir a grandiosidade desse mundão, descobrir que nada sei e que essa viagem pela vida é cheia de surpresas... sou grata! ;)


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Indo ao médico em Dublin

Já viajei sabendo que após 3 ou 4 meses em terras verdes teria que buscar um médico para fazer o controle de rotina dos hormônios da tireoide (tenho hipotireoidismo, aquele danado que ainda dizem que engorda).

Chegando aqui fiquei perdida sem entender como funcionava o sistema de saúde, ainda não sei direito, mas entendi que primeiro teria que passar por um GP - clínico geral - e depois se ele achasse necessário, iria me encaminhar a um endocrinologista (que é o especialista indicado no meu caso).

Logo desisti do sistema público e busquei por consultas privadas, vi que a média de preço era 50 euros para clínico geral, outras especialidades médicas tem um valor mais alto.

Encontrei uma clínica lá no Dundrum Shopping, pertinho de casa e que oferece planos interessantes a um custo bem acessível: a partir de 10 euros por mês já é possível adquirir um plano que inclui visita ao GP e dentista. 

Contato da Primacare na mão, então tudo certo? Não! 

Era frustrante não me sentir segura para fazer algo corriqueiro, tinha quase 6 meses na Irlanda e estava sofrendo para falar em inglês com um médico! 

Tudo bem que não era uma conversinha de elevador, era algo mais técnico e difícil de explicar, mas ainda assim não fazia sentido tanta aflição.

Enrolei uma vida, o medicamento que trouxe acabou e meu corpo reagiu - de um jeito não muito legal, aí resolvi que era hora de ser adulta e marcar a consulta. 

Pablo decidiu pegar a carona e se consultar também, nos encontramos a noite no shopping (a clinica funciona até às 19:30). Entramos juntos e enquanto eu abria o envelope com uma ultrassonografia da tireoide, o médico disse: "Oh! Você está grávida!", um tom de felicidades ao casal na voz da pessoa.

HAHAHA gente, constrangimento define.

Achei a consulta ok, um pouco diferente do que estava acostumada, o médico ficou sentado todo o tempo, não me tocou, mas não chegou a ser frio e foi bem paciente para entender tudo direitinho. 

Fiquei um pouco passada com a forma direta de dizer as coisas, tipo ele sugeriu na lata que eu buscasse um subsidio do governo para a compra do medicamento, já que o meu problema não tem mais jeito e terei que tomar esse remédio para sempre, o que no fim das contas não é barato. 

Não sei se é falta de tato ou se a cultura deles é assim mesmo de não enfeitar muito.

Dois dias depois voltei a clínica, dessa vez sozinha, para fazer um exame de sangue e foi bem tranquilo. 

O valor da primeira consulta é 50 euros e as seguintes 30, mas se a consulta for feita em família (não saquei o critério 'família' deles, não perguntaram se eramos ficantes, namorados, casados ou companheiros),  o valor é 60 euros. 

Acabou ficando 30 euros para cada, considerando que o médico meu deu receita para os próximos 3 meses, o custo foi ótimo. E o exame de sangue custou 10 euros.

Pronto, ir ao médico na Irlanda não é mais uma agonia! ;)