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sexta-feira, 18 de outubro de 2013

For Sale!

Um belo dia recebemos uma carta informando que o landlord tinha perdido a propriedade por não pagar a hipoteca ao banco e a administração do imóvel agora pertencia a imobiliária X.

Ele nunca, nunquinha nos atendeu, dessa vez não foi diferente, tentamos contato com a pessoa que fechamos o contrato, ninguém sabia de nada e ficamos aguardando um retorno. 

Dias depois comunicaram que o landlord estava possuído pela ragatanga e que não tinha perdido propriedade nenhuma, que continuassemos depositando o aluguel na conta dele.

Passamos o recado à suposta nova imobiliária que também ficou louca da periquita dizendo que tinha toda a documentação do banco e que deveriamos pagar o aluguel na conta indicada. E mais, que resolvessemos o tema do depósito com o digníssimo ex-proprietário.

Aí foi minha vez de rodar a baiana, porque né? A pessoa que sempre foi omissa, perdeu um apartamento maravilhoso, iria se importar agora em devolver dinheiro para garantir o resto do contrato com os outros!?

Foram tempos de disse-me-disse até que resolvemos tudo direitinho, o landlord concordou com a medida do banco e o último mês de aluguel não pagaremos, ficará por conta do depósito.

Então perguntaram se queríamos comprar o imóvel, como se tivéssemos muitos euros na conta de bobeira. Com a resposta negativa, pediram nossa colaboração para a venda e agendaram um dia para mostrar o apartamento aos interessados.


Eu tinha esquecido que aqui na Irlanda um monte de gente visita ao mesmo tempo e de repente vi minha casa cheia de irish, foi divertido!

O corretor chegou primeiro, pediu mil desculpas pelo inconveniente e que tentaria ser rápido, elogiou bastante o apartamento, a organização e limpeza, não sei o que ele esperava encontrar, mas ele ficou visivelmente feliz, dava pra ver uma nuvenzinha de "vou vender facinho" na cabeça dele.

Logo chegaram os interessados, umas 12 pessoas! Todos que entraram me pediram desculpas por invadir minha privacidade, achei muito educado.

Depois fiquei me sentindo respondendo perguntas, tinha gente que queria saber se o pub que fica aqui embaixo é barulhento, outros perguntavam dos gastos mensais, alguns ruborizados questionavam se tinha algo quebrado, se eu gostava de morar aqui.

A visita acabou e o corretor disse que algumas pessoas chegaram atrasadas, se poderiam subir. Disse que sim, estava achando o máximo falar com tanta gente num dia comum que ficaria na internet.

Chegou o outro grupo, mais pedidos de desculpa, mais perguntas. 

Uma mulher veio com os pais, eles viram minha gramática, perguntaram se eu era estudante, elogiaram meu inglês (achei fofo, apesar de ser mentira haha). 

Outro rapaz escutava o corretor dizer que a única palavra que sabia em português era "obrigado", aí ele entrou no papo, começou a falar do Brasil, que parecia lindo, que devo sofrer com o clima daqui e quando foi embora agradeceu com a palavra nova que aprendeu. Fofo também!

Depois chegou um casal, a dona olhava tudo milimetricamente e falei que se ela quisesse poderia abrir os armários, ela disse que comprava muitos apartamentos como esse e já conhecia, ah tá, ryca!

O marido dela estava hipnotizado com a tv, me fez algumas perguntas e quando eu disse que era do Brasil ele ficou impressionado, nunca tinha conhecido ninguém do Brasil assim de perto! 

Fiquei com vontade de perguntar se ele nunca andou no centro de Dublin. 

O senhor esqueceu a tv, não sem antes me perguntar se eu via muitas coisas do Brasil nela, não sei o que ele pensava - novela, futebol, filme, noticias? - mas respondi que via um pouco de coisas do Brasil.

Ele ficou me olhando com uma cara de quem descobre um mundo novo, não, ele não estava me paquerando. Era aquela coisa Sergio Chapelin "quem são eles? Como eles vivem? O que comem? O que fazem? Logo mais no Globo Repórter!".

A mesma cara tonta que eu fiz quando conheci uma menina de La Réunion, num primeiro olhar parecia tão exótico! Nunca tinha conhecido ninguém de lá, na verdade nunca tinha pensado na vida do lugar, de repente estava imaginando como era a ilha, a rotina local, o que fez ela ter escolhido a Irlanda.

Essa sensação é única, o click de uma realidade tão distante, diferente e ao mesmo tempo igual. Sentir a grandiosidade desse mundão, descobrir que nada sei e que essa viagem pela vida é cheia de surpresas... sou grata! ;)


sábado, 31 de agosto de 2013

Comidas em Dublin

A diversidade de culturas em Dublin é uma das coisas que mais me fascinam na vida aqui, sei que sentirei saudades de estar todo o tempo conhecendo pessoas que vieram de lugares que mal tinha escutado falar. E até daqueles lugares que a gente acha que conhece, tem sempre uma surpresa.

Conviver com tanta gente diferente é uma experiência enriquecedora e divertida.

Entre brincadeiras e trocas de conhecimentos sobre os países, climas, costumes e expressões idiomáticas, o assunto vai parar na cozinha, todo mundo tem aquela comidinha tipica que dá água na boca só de lembrar.

Quem já prestou mais atenção nos supermercados de Dublin, já viu que nas grandes redes há espaço para produtos tradicionais de várias regiões, no Dunnes por exemplo, há uma parte cheia de molhos e coisinhas asiáticas, outra com coisinhas mexicanas, espanholas, etc. 

Além das lojinhas com produtos específicos de cada país que encontramos pelo centro. De vez em quando dou as caras nas lojinhas brasileiras e me abasteço de feijão, farofa e guaraná antarctica. 

A fome curiosidade é tanta que comecei a trocar receitas com as meninas da escola e já preparei noodles asiáticos e guacamole, tem funcionado bastante hehe.

Também aproveito para provar as comidas nos restaurantes, já faz tempo que troco fácil balada por comida, viu? E tem vários estabelecimentos com precinhos camaradas, sou tão gordinha que tudo me agrada, da culinária turca a tailandesa, da mexicana a indiana.

Gosto de ir ao Epicurean Food Mall, é como uma praça de alimentação de um shopping com vários pequenos restaurantes de comida grega, italiana, turca, irlandesa, japonesa e brasileira. Muitos tem o buffet livre por 8 ou 10 euros. 

Sempre que quero comer carne, passo no restaurante brasileiro do Food Hall, o Fusion Brazilian Grill. Pago 9 e pouquinho e recebo um prato bem servido com carne, arroz, salada e batata frita. 

O restaurante japonês é comandado por brasileiros também, não é tão barato, mas sushi definitivamente não é barato em Dublin (pelo menos nunca encontrei um lugar em conta). E já comi uns sushis muito dos sem graça, lá no Rafa's Temaki pelo menos é gostosinho.

Nos últimos dias meu achado foi o bar-restaurante Wok Inn Noodle Bar perto da rua dos cafés, a caixinha cheia de noodles de camarão custou 6 euros (o prato mais caro), pelo movimento deu para perceber que eles têm uma clientela fiel.


O outro achado foi de comida mexicana em Dublin 2, o Tuzo Mexican Kitchen é uma graça, o preço é bom, o burrito veio tão cheio que deu trabalho para comer e estava uma delicia. Paguei 7 euros no combo de estudante: burritos + uma latinha de coca-cola.


Ai que fome hehe! Abraço! ;)


Endereços:

Epicurean: 1, Liffey St Lower, Dublin 1. 

Wok Inn: 45, Lower Stphen Street, Dublin 2.

Tuzo: 51b, Dawson Street, Dublin 2.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Malahide

Escutei mil opiniões diferentes sobre o castelo de Malahide, muitos dizem que valem a pena conhecer um dos castelos mais antigos da Irlanda - que já estava erguido antes das primeiras naus e caravelas portuguesas chegarem ao Brasil e iniciarem o processo de colonização do nosso povo nativo e território, confesso que acho esses detalhes surreais - e também vi muita gente dizer que o preço da visita não compensa o que é oferecido.

Não tenho uma opinião formada porque não entrei no castelo. Decidimos do nada ir a Malahide, já passava da hora do almoço quando fomos ao centro de Dublin pegar o Dart sem saber exatamente o que fazer ou encontrar quando chegasse.

Entre esperar o trem e fazer o trajeto levamos uns 45 minutos e o ticket ida e volta custou 5,80 euros (se não me engano rs).


Da estação fomos direto à famosa atração do vilarejo, há uma placa sinalizando o caminho, é muito perto, menos de 5 minutos de caminhada e já entramos no parque onde fica o castelo.

O parque é bem grande e verde, como era fim de semana tinha muita gente, turistas e famílias inteiras desfrutando o espaço livre.

Ficamos um tempo por aí, tiramos fotos e antes de avaliar se valia a pena ou não pagar a entrada, a fome falou mais alto e saímos à procura de um lugar para comer.


E nessa busca conhecemos o centrinho de Malahide que achei lindo, depois seguimos para a orla e marina, me senti num balneário de ricos e famosos, tudo impecável, apartamentos com vista ao mar e barquinhos estacionados. 





Só achei estranho não ver nenhum movimento nessa área, ninguém curtindo sua varandinha ou chegando/saindo de lancha, uma quietude enorme.

Escolhemos o pub Gibneys para almoçar (a essa altura quase jantar), o espaço é amplo e quase não havia mesas livres, estava cheio de tiozão e tiozona bebendo conversando animados, depois rolou música ao vivo - com uma banda também formada por músicos não tão jovens - e o pessoal ficou ainda mais empolgado.

Descobri que pub de tiozão é minha praia hehe, me senti super a vontade.




E a comida é boa, pedi um prato de fish and chips, aliás já contei que sou viciada nisso? As pessoas costumam reclamar da comida irlandesa, mas eu fico satisfeita só com peixe e batata frita, gente! ;)


                                Há perdão para blogueiro que tira foto de comida!

Antes de entrar nos chamou a atenção o termo wine pub, porque pub e cerveja é uma combinação clássica, mas no Gibneys há também uma variedade boa de vinhos por taça, geralmente os pubs vendem a garrafa e oferecem poucos rótulos para quem não quer tomar uma garrafa inteira, e encontrar opções para bebericar com a comida foi algo que nos agradou bastante.

Ficamos um pouco mais na pista e depois seguimos para a estação do Dart com vontade de voltar para outra tarde de música, vinhos e fish and chips em Malahide, e quem sabe com a visita ao castelo incluída no roteiro! ;)

Abraço!