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quarta-feira, 30 de julho de 2014

Valeu a pena ir para Dublin?

Sempre me surpreende receber e-mails ou comentários no blog, o pessoal que aparece aqui geralmente não é muito de interagir. 

Daí que nas últimas semanas tenho recebido consultas sobre a vida em Dublin, em comum as pessoas querem saber: e aí, valeu a pena?

E eu fico um pouco desconcertada porque sei que esse valeu a pena envolve muitos aspectos, em especial o aprendizado na língua estrangeira. Basicamente as pessoas querem saber se eu voltei fluente depois dos 6 meses de curso.

E aí entra a primeira dificuldade: o que é fluente para você?

Hoje estava lendo um texto da Bá, professora de inglês e blogueira no Barbaridades, que veio a calhar com esse tema e acho que se você está pensando em fazer intercambio, deve mesmo dá uma lida nesse material.

É fundamental ter um objetivo em mente, principalmente se você tiver um inglês precário, pois manter o foco após a chegada na Irlanda será uma das principais barreiras que você irá enfrentar. 

Será muito fácil ceder ao que é fácil. Será muito fácil ficar numa zona de conforto e não se arriscar. E ninguém quando faz um planejamento de intercambio pensa em gastar toda essa grana para ficar acomodado e não viver novas experiências, né?

Quando digo que fico desconcertada para falar do intercambio é porque não sinto que me enquadro tanto no perfil de intercambista, eu viajei já formada, independente, perto dos 30, casada, a Irlanda seria o terceiro país que viveria fora o Brasil.

Queriamos sair da rotina, experimentar, viajar e como meu inglês era muito ruim, a ideia de ir a um país de língua inglesa casou bonitinho, iamos viver novos ares e eu ia aproveitar para dar uma melhorada no idioma.

Nesse sentido, coloquei como objetivo perder a vergonha de falar inglês e prestar o FCE após um ano de vida em terras irlandesas. Pensei com meus botões que era o requisito que todas as ofertas de trabalho que eu me candidatava exigiam e eu não cumpria. 

Eu não fiquei um ano certinho em Dublin, tampouco prestei o FCE ou perdi a vergonha de falar inglês. 

Mas avaliando a minha história, valeu muito a pena, faria novamente por todo o pacote que vivi e aprendi. Aliás, até hoje existe a dúvida do voltar ou não voltar a ilha.

Agora avaliando friamente a questão linguística: não, eu não precisava ter saído de casa para estar com o inglês que tenho hoje. 

Eu poderia ter investido todo o dinheiro do meu rico trabalhinho num curso de inglês da escola do bairro e passado um tempo conquistaria o mesmo nível que tenho hoje, que não é aquele inglês porretão que as pessoas costumam imaginar quando sabem que alguém morou fora, longe disso inclusive. 

Acho um mito acreditar que só o fato de morar fora vai te deixar fluente no idioma, seria lindo se a gente aprendesse tudo apenas por osmose, mas ó, tem que sentar a bunda e estudar, seja no Brasil ou na gringa.

Hoje consigo entender que a diferença entre o meu aprendizado no espanhol e inglês é marcada pela dedicação que dei a uma e outra língua, estudei muito mais espanhol do que inglês e esse detalhe é perceptível na minha forma de falar os idiomas, independente do fato de ter morado três anos num país de língua espanhola ou 10 meses num país de língua inglesa.

Se é possível alcançar um objetivo em 6 meses de curso? Depende do que você se propõe! 

Só você vai poder correr atrás e dizer, mas tendo a chance nas mãos, é gostoso fazer valer a pena.

Abraço! ;)

domingo, 6 de julho de 2014

8 saudades da vida em Dublin

Há 6 meses deixei a Irlanda, mas a Irlanda não me deixou rs, volta e meia me pego pensando na Ilha Esmeralda e como sou a louca das listas, quis colocar na ponta do lápis as coisas que mais sentia falta da vida em Dublin! ;)


1- Comidas e supermercados

Eu vejo muita gente reclamando da comida na Irlanda, mas eu nunca vi problema, só solução. A cidade tem tannnnto restaurante que toda semana podia provar um mundo novo, era um tal de comidinha mexicana, tailandesa, indiana, japonesa, brasileira, italiana que eu achava o máximo experimentar. E o melhor, várias opções com preços camaradas, basta dizer a caixinha thai por 5 euros ou o combo mexicano por 7 euros! 

Saudades disso e de comer um fish and chips sucesso ou batata frita com vinagre no melhor estilo irish.

Além da diversidade de comidas que encontrava na cidade, os supermercados eram outra alegria. No condomínio que eu morava tinha um Dunnes imenso que era amor, era vida. 

Suspiro lembrando da parte de queijos, comprar queijo brie por 1 euro é coisa de Deus, experimenta comprar queijo brie no Brasil, coisa de rycah, apenas.

Foi difícil voltar e me adaptar aos preços e qualidade dos produtos novamente. Saudade de um tempo que a marca do supermercado correspondia a economia e qualidade, saudade de comprar sobremesas por 2 euricos. 

E pra não dizer que era só produto pouco saudável na minha feira, rolava um monte de saladinhas já ready to eat e caixinha de tomate cherry por 0,89 cents! Vou nem falar quanto tá o kg do tomate por nessas bandas...


2- O desafio da língua

Não é novidade que minha relação com o inglês é uma coisa tensa, sou eu me esforçando para achar ele legal e ele se esforçando para ser legal comigo. 

Viver em Dublin e estar exposta a todo dia quebrar essa barreira era bem interessante. Sempre tinha um friozinho na barriga quando precisava resolver alguma coisa sozinha, quando saia da sala de aula e ia para a vida real. 

E eu sinto falta desse desafio, falta da frustração quando não entendia nada e do sentimento de satisfação quando podia resolver o que queria, falta de ensaiar diálogos antes de falar. 

Fazer uma ligação para agendar uma consulta era todo um evento, assistir um seriado sem legenda toda uma conquista. 

São detalhes de um cotidiano que não existe mais na minha vida, mesmo não morando no Brasil. 

É que a minha relação com o espanhol é diferente, já é minha segunda língua. Não rola nervosinho, não penso antes de falar. Se tenho que ligar para alguém, pego o telefone, ligo e falo, sem ensaios. Não tenho aflição de não entender, não tenho vergonha de falar, é tudo fácil, normal do dia a dia.

Ficou a saudade de escutar a rádio no caminho de casa e ficar atenta às conversas, letras de músicas e propagandas, saudade de prestar atenção no modo das pessoas falarem, saudade de ler cartazes aleatórios pela cidade, saudade de ver e ouvir o mundo em inglês.


3- Parques

Porque sempre tinha um parque no caminho.

E como gostava de ir a esses lugares! Delicia ficar no parque matando o tempo, lendo um livro, fazendo um lanche, papeando com os amigos, namorando.

O Stephens Green era o meu favorito, tinha que pegar o luas ali do lado e minha escola ficava em frente ao parque, ou seja, praticamente toda vez que saia de casa passava por lá.


4- Música e artistas de rua 

Era tão comum parar no meio da rua para assistir as performances da galera. Via cada banda massa se apresentando a céu aberto, nunca podia evitar passar pela Grafton Street e parar alguns minutinhos para ver alguma novidade.

E quando tocavam música irlandesa aí o coração ficava cheio de amor, sou fã da banda MuteFish que toca pelas ruas de Dublin, temos o cd deles e sempre escutamos. Piro na dancinha também, acho lindo.

Saudade desses shows de todo dia.

                                                                  Sou fã!


5- Pubs

Ir a balada não fazia parte da nossa rotina. Pablo detesta tuntz-tuntz (música eletrônica), eu tenho preguiça de gente cool baladeira u-hu. 

Me julgue, mas meu conceito de festa é barzinho com lugar para sentar, comidinhas e música ao vivo até meia noite. Mais que isso fico chata e com sono. E Dublin me entendia, sempre tinha um pub bacana com música ao vivo para embalar nosso sábado a noite.

E os pubs ainda davam show de opções de craft beer, sempre tinha uma cerveja artesanal, diferente pra gente provar. Nós gostamos de tomar uma cervejinha ou vinho, já contei aqui no blog que até estudamos mais sobre as bebidas em cursos como o de sommelier. É hobby, não é sair para encher a cara, é mais um jogo com os sentidos, apreciar os sabores, nos diverte rs.


6- Conhecer as cidadezinhas do interior

Uma das coisas que sinto mais saudades é planejar viagens, toda semana entrava no site da Ryanair para sondar os preços das passagens, vai que tinha alguma promo para um fim de semana, né?

E essa vontade de rodar toda a Europa era compatível com a vontade de conhecer toda a Irlanda. 

Acho que fui meio mole, poderia ter visto muito mais da Irlanda nos quase 10 meses que vivi lá. Faltou conhecer muita coisa, não fui ao sul do país, por exemplo. E queria muito ter ido a Cork, Kinsale, etc.

Ainda assim, posso dizer que conheci o interior irlandês e amei. Cada vilazinha fofa, cada lugar verde e lindo que só me deixou com vontade de explorar mais o país. 


7- Dias de sol

Eu nunca tinha dado tanto valor a um dia bonito. Na Bahia faz dia bonito quase todo dia, se chove um dia, a gente espera que no dia seguinte tá beleza. Se não deu praia hoje, sem stress que rola amanhã. 

Na Irlanda não é assim. Se faz sol, amigo, corra pra rua! Ficar em casa num dia lindo é um desperdício que te faz sentir culpado, sério.

Dia de sol é igual dia feliz, é lindo porque você não precisa de nada mais que o sol para esbanjar alegria. Poético, não? 

Engraçado que eu achava que os irlandeses não curtiam um calorzinho justamente por estarem acostumados ao frio. As pessoas sempre me dizem 'ai como você deve sofrer com o frio' porque sou baiana e 20°C já é inverno rigoroso na minha terra, logo aplicava a mesma lógica aos irlandeses. 

Mas minha surpresa foi chegar em Dublin e ver o pessoal todo cheio de sorriso para os dias mais quentes, numa empolgação contagiante.


8- Pegar o luas

Em todo o tempo de vida em Dublin nunca morei no Centro, moramos em 4 lugares diferentes, todos entre Stillorgan e Sandyford.

Nosso meio de transporte era basicamente o luas e era nessa viagem de 20 minutinhos que ia pensando na vida, observando o povo, lendo o jornalzinho, acompanhando o movimento do dia.

Saudade de ver a cidade pela janelinha do luas.

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Irlanda, sua linda, sinto falta de você! ;)


sábado, 15 de março de 2014

St Patrick's Day em Dublin

Eu não estou na Irlanda, mas não pude escapar desse clima St Patrick's Day que toma conta dos irlandeses no mês de março.

Aqui em Montevideo, Pablo participa de um clube de cervejeiros, é um grupo de fabricantes de cervejas artesanais e todos os meses rola um pack com 6 cervejas destacadas de cada marca do grupo, daí a caixinha que chegou na semana passada era toda trabalhada na temática San Patricio e no livrinho que vem explicando sobre as bebidas encontrei mais "irish" do que qualquer outra palavra.


Suficiente para encher o coração de amor e nostalgia, né? 

Como não lembrar do nossos primeiros passos lá na ilha verde? Aquele momento lindo da chegada, onde tudo era novidade, descoberta e antes de completarmos o primeiro mês vivendo em Dublin, acompanhamos a  festa de St Patrick: muita empolgação!



Tinha muita curiosidade para saber como era a festa, muita gente dizia que era o carnaval da Irlanda, outros que não era lá tão animado, que o pessoal pirava o cabeção bêbado nas ruas, etc.

E chegou o dia, catei o que tinha de verde na mala, colocamos as coisinhas animadas que compramos na Carroll's e saímos como leprechauns serelepes... errr, mas será que não estavamos exagerando, pagando de turista? Veja bem, de Stillorgan até o Centro dava uns 20 minutos viajando no luas e se todo mundo estivesse vestido normal?

Rá! Bastou avistar a estação de luas para identificar vários amigos leprechauns: crianças, adolescentes, adultos, todo mundo trajando verde, definitivamente era uma festa irlandesa, celebrada por eles, não era uma festa criada para vender o país, uma parada de marketing somente para atrair turista e fiquei muito feliz de ver e participar.


Não chegamos cedo, então as ruas já estavam lotadas, parecia impossível encontrar um lugarzinho para ver o desfile sem mil cabeças na frente, mas no final conseguimos encontrar um canto e assistir tudo.

Na verdade achei mais parecido a um desfile de 7 de setembro do que um carnaval, muitas escolas se apresentando, bandinhas de sopro, fanfarra, muitas convidadas e levando bandeiras dos EUA. 

Não achei um desfile grandioso com roupas, alegorias e produções cheias de brilho, glamour, luxo ou poder, inclusive parecia muita coisa improvisada, tipo trabalho de escola e na boa? Achei bacana, achei autêntico! Menos ostentação e todo mundo se divertindo.




Algumas bandas passavam e levantavam a galera, as pessoas aplaudiam, acenavam, mandavam beijos, as vezes demorava um pouco para passar o seguinte grupo e assim foi até terminar.

Com o desfile encerrado, as atenções voltaram-se às ruas do Temple Bar, aí sim parecia uma mini micareta (pela quantidade de gente) e o abadá era verde! :P



Dentro dos pubs, cerveja e música rolando solta, todo mundo animado. Não ficamos até tarde da noite, então não vi como a coisa terminou por lá.

Os dias que antecedem o St Patrick's Day são dias de comemorações também, no ano passado ocorreram vários eventos, fomos a um show de música e dança irlandesa na rua ao lado do Parque Stephen's Green que foi lindo.

Ainda visitamos a fábrica da Guinness que tinha uma programação de shows com várias bandas locais.


No último andar da fábrica da Guinnes há um bar com mirante onde é possível ver grande parte da cidade e pudemos ver vários edifícios com iluminação verde em homenagem ao St Patrick. 

Lá no bar tinha dj e o clima era de festa, tinha muita gente, conhecemos um garçom irlandês que tinha ido ao Brasil e Argentina e ficou todo amiguinho nosso, ganhamos cervejas, demos boas risadas e tiramos muitas fotos.


Foram dias felizes rs! Esse ano não estaremos pelas ruas de Dublin, mas os acessórios de leprechaum vieram na mala, junto com o cd da Mutefish (uma banda maravilhosa que se apresenta na Grafton Street e Temple Bar) recheado de música irlandesa da melhor qualidade, temos o pacote completo para festejar! 

Viva St. Patrick's Day! ;)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

De volta pra casa

Não tinha uma rotina propriamente de estudante, mas tinha um visto de estudante, né? 

Aí não escapei de viver aquela dúvida do renovar ou não renovar.

Ficar na Irlanda ou voltar para casa era um tema constante, tão constante que chegou um momento que ficou chato.

Já não tinha como avaliar, já não tinha como comparar: qualquer opção oferecia uma perda e ganho, restava apenas escolher o que a gente queria perder e ganhar.

Chegamos ao final de novembro sem saber exatamente o que fazer, tudo ainda estava em aberto. 

Colocar um ponto final nessa aventura em terras verdes dava quase tanto trabalho quanto os primeiros passos dessas história: precisavamos chegar a um acordo sobre a entrega do apartamento, remarcar as passagens de volta, cancelar contratos, encerrar conta bancária, etc.

Com uma dose extra de paciência conseguimos resolver esses temas, difícil mesmo foi assimilar tudo o que estava acontecendo ao mesmo tempo: era isso mesmo que a gente queria? 

Tinha hora que estava absolutamente decidida, era o que mais queria na vida, uma ansiedade imensa e queria mais era estar entre os meus. Mas havia períodos que achava tudo ao meu redor o máximo e ficava dividida.

Acho que não poderia ter sido diferente, a vida em Dublin era muito boa! Não estavamos desistindo porque não deu certo, apenas estavamos indo atrás de outras coisas que ficou em outro lugar.

Eu estava com muita saudade, sentia falta da família e amigos e até de coisa besta como o cheiro do pão da padaria da esquina, sabe rs? 

E já não era uma saudadezinha, parecia que era a primeira vez que tinha saído de casa! Logo eu que sempre me achei tão do mundo, vai entender...

Somado a isso tinha a questão do visto, desde o principio pensamos em pedir o stamp 4, cumpriamos todos os requisitos, mas fomos lerdos em setembro a legislação sofreu alterações e apesar de cumprir com os novos requisitos, não tinhamos a documentação para provar a tal da convivência por 2 anos. 

Basicamente nunca pensei em levar as contas e cartas do passado para a Irlanda, provando que viviamos sob o mesmo teto há tanto tempo rs. E aí desanimei. 

Não queria renovar o visto de estudante. Até queria fazer mais aulas de inglês, só que não por 6 meses. 

Outra saudade era minha rotina de trabalho, queria voltar a viver aquele zumzumzum de escritório. Louca, só pode!

Até consegui entrevistas para empregos que me deixariam tranquila em Dublin. Tenho um e-mail da agência avisando que se eu conseguisse o stamp 4 (tinha dito que estava correndo atrás) provavelmente seria chamada.

Fiquei naquela "maldito stamp 4 da depressão", mas ok hehe.

Fico falando 'eu, eu, eu' porque o blog é meu. Mas meu companheiro (ai que possessiva rs) estava mais ou menos assim também. Não com tanto mimimi de saudade de casa e sofrendo por emprego ou visto porque ele tem o passaporte vermelhinho e tinha um emprego excelente.

Finalmente acabamos batendo o martelo para a volta, a Irlanda estaria no mesmo lugar caso mudássemos de ideia... e voltamos! ;)


Abraço (suado, porque aqui tá fazendo 40°) ! 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Médico do Viajante - Vacinas em Dublin

Já contei como foi usar o seguro da GTA em Dublin, já contei também como foi ir a uma clínica privada aqui e agora venho contar como foi a consulta com o médico do viajante. 

E não, não sou hipocondríaca! :P

Pesquisando os requisitos de entrada aos países asiáticos que irei visitar em dezembro, vi que a maioria exigia o certificado internacional constando a vacina da febre amarela, fiquei naquele mini desespero imaginando como conseguiria isso em Dublin.

Um passeio pelo Google e tudo ficou mais claro, encontrei algumas clínicas na ilha esmeralda com o tal do medical travel, o profissional que indica o que você tem que fazer em termos de saúde antes de viajar, e isso inclui recomendar - e aplicar - vacinas.

O mini desespero do como, deu lugar ao mini desespero do quanto, no Brasil a maioria das vacinas são gratuitas, na Irlanda o custo é alto (para meu bolso de desempregada): primeiro pelo preço da visita ao médico que obrigatoriamente você tem que passar e depois pelo preço das vacinas em si.

Mesmo as vacinas sendo gratuitas no Brasil, li vários blogs de brasileiros que fizeram mochilões pela Ásia e muita gente recorreu a esse profissional em busca de mais recomendações e informações sobre os cuidados necessários para viajar. 

Fiquei me sentindo bobinha por nem saber que existia essa especialidade rs.

Meu roteiro na Ásia é basicamente aquele roteiro pop, não vou me aventurar em lugares mais remotos, não vou fazer esportes radicais, trekkings pelas montanhas, matas, etc. E isso influencia nos tipos de vacina que precisamos tomar.

Até gostaria de viver experiências que me aproximassem mais da cultura real e não turística, mas isso vai ter que ficar para uma próxima trip. 

Com 26 dias disponíveis não consegui - nem fiz esforço para ser sincera - escapar das praias e templos. 

Confesso que considerei não gastar tomar mais vacinas do que as requeridas para o visto de turista na Ásia, afinal seria mesmo necessário tanta precaução ou era pura frescurite de gringo achando que vai pisar no sub-mundo? 

Em Dublin o local mais em conta que encontrei foi o Jervis Medical, fica entre as ruas Parnell e Jervis, bem facinho de encontrar.

Para o meu roteiro o pacote recomendado é o que inclui as vacinas Hepatitis A, Typhoid, Tetanus, Diphtheria & Polio, eles oferecem uma promo no valor de 140 euros (incluindo a consulta com o médico). 

E aí que brasileiros precisam apresentar também o certificado internacional da vacina da febre amarela para entrar na Tailândia, acrescente mais 35 euros na conta. Pois é, no total 175 euricos, uma facada no peito.

Só a vacina da febre amarela - que é o que efetivamente preciso apresentar para entrar nos países - custa 80 euros (35 da vacina + 45 da consulta obrigatória).

Aceitei que com saúde não se brinca, né? Fiz as contas das últimas vacinas que tomei no Brasil e abri a carteira para tomar a anti-tetânica, polio e a febre amarela.

A consulta foi a mais diferente que já fui na vida rs! Nunca imaginei contar meus planos de viagem a um médico, mas é bem assim que funciona o encontro com o médico do viajante, ele pergunta do seu roteiro, das suas atividades e vai dando pitaco em tudo.

Ele questionou quando eu viajaria, com quem iria, qual tipo de hospedagem, de transporte, se eu pensava em fazer algum esporte mais radical e várias cositas más. 

E recomendou que tomasse mais vacinas (contei que no Brasil o sistema é eficiente e gratuito, já tinha tomado algumas), explicou quais remédios eu deveria levar e tomar em caso de X sintomas e deu umas tips meio obvias para macaca velha tropical: não tente nadar bêbada (oi?), cuidado com o sol e reaplique o protetor solar várias vezes, se reidrate, use camisinha (ruborizada haha), não coma nas barraquinhas sujinhas, etc.

Tomei as vacinas todas no mesmo dia, nos dois braços e não doeu nada - sou medrosa e exagerada, se digo que não doeu, acredite rs. E o certificado internacional eles entregaram também no mesmo dia lá no consultório. 

Tudo pronto e agora férias que te quero! ;)


                Não lembro a fonte da foto que serviu de inspiração, mas agradeço o click...

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Decoração de Natal em Dublin

Dezembro ainda nem chegou e a cidade já está cheia de luz e decoração de Natal.

          
                     
Fico com a sensação que o ano passou rápido demais e estou acostumando com a ideia aos poucos.

As vezes acho que bloqueio um pouco a celebração por estar longe dos meus, é como uma proteção para aliviar a saudade de não ver a mesa cheia - de gente e comida, de não escutar as histórias repetidas da família, as gargalhadas, sentir aquela troca de abraços sinceros e apertados.

Apesar desse lado meio borocoxó, ver o movimento do natal tem sido bem divertido, insisto em achar que estou vivendo num filme rs. Só falta cair a neve para eu sair saltitando e dançando pelas ruas!

Contei a um irlandês que na Bahia era normal fazer neve de mentirinha para a decoração num calor de quase 40° e ele achou hilário. 

Pensando bem, é estranho mesmo incorporarmos tantos elementos fora da nossa realidade - e clima - na festa.

Mas não quero divagar rs, quero mostrar como Dublin está toda bonitinha iluminada, com árvores de natal, coisinhas em verde e vermelho, papai noel, bonecos de neve e afins em vários lugares.




                                    
Não tirei fotos, mas a sede dos correios na O'Connel está linda demais! ;)

Há também uma boa quantidade de eventos acontecendo na cidade, dá para conferir a programação nesse link.

E a tradicional feirinha de natal que ocorre todo ano lá nas docks terá inicio no dia 12 de dezembro. 



                                    Minhas fotos do cel X As fotos do Pablo! :P


Abraço! ;)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

9 meses na Irlanda

Segundo o dito popular é quando você vê o resultado, né? :P

Pois bem, fiquei com isso na cabeça, mais precisamente com a voz infernal do compadre Washington se repetindo em meu juízo.

Talvez esse seja nosso último mês aqui e aí fica quase impossível não cair naquela conversa de avaliar essa aventura.

A experiência de morar em Dublin foi muito mais intensa do que eu esperava antes de viajar e sou grata a tudo que vivemos, tivemos nossos perrengues e alegrias, muita coisa não saiu como planejamos e precisamos descobrir outras possibilidades, ceder, dividir, ter mais paciência,  e tudo isso proporcionou um aprendizado enorme.

Já me achava madura demais para esse papo de intercambio, sabe? Pensava que seria apenas uma mudança de cidade, de ares, outro contato com uma cultura diferente, não caberia espaço para dramas de adolescente, mas que nada rs! 

Eu mudei, cresci e constatei que nada sei. E na boa, isso é lindo! Isso por si só já valeria a pena ter cruzado um oceano e raspado todas as economias do cofrinho.

Me permitir conhecer e viver a Irlanda foi uma das melhores decisões da vida!

Muita gente me pergunta e o inglês? Aliás, coisa chata quem vive perguntando sobre o inglês alheio. Não que o idioma seja um fator menos importante nessa história toda, definitivamente não é. Cheguei aqui com o objetivo de estudar também.

Minha relação com o inglês é tensa, sempre foi. E eu me enganei - mais uma vez rs - achando que pisaria aqui e passaria a amar a língua. 

Não esperava sair fluente depois de poucos meses porque não sou louca rs, mas achava que estaria numa especie de 'período sabático' sem espaço para preocupação com 'carreira, especialização, casa própria, filhos' e assim seria fácil focar apenas nos estudos.

Pois bem, não foi fácil e perdi o foco muitas vezes. Mas se eu comparar minha capacidade de interagir com as pessoas no dia que desembarquei em fevereiro com o entendimento que tenho hoje, é notório que houve um avanço. 

Já fiquei muito noiada com a questão do inglês, o ideal mesmo seria ter chegado aqui do jeito que estou agora, mas essa não era minha realidade, né? Não vou ficar chorando as pitangas, vou é seguir insistindo, tentando melhorar essa relação.

Oh, acabei transformando num post de despedida, não era a intenção, imagina se apareço daqui uns dias dizendo: renovei e/ou casei!? 

O post ficou grande, mas para não perder o costume dos tópicos:

- Um mês e pouquinho sem a rotina da escola (p.s. me acho tão menininha falando escola, gente!), as vezes sinto até saudade.

- Começamos a alugar o quarto para períodos curtos e achei o máximo conhecer tanta gente e histórias diferentes, dividimos o teto temporariamente com pessoas dos EUA, Austrália, Alemanha, Itália, Argentina e Irlanda. 
Muitos dos flatmates vieram a turismo e alguns em busca de novas oportunidades de trabalho, tantos causos que daria um post. 

- O outono foi a coisa mais maravilhosa do mundo, ok ainda estamos no outono, mas a paisagem já está tomando mais forma de inverno. Tudo ficou lindo demais e eu boba admirando todas as cores, milhares de fotos de árvores e folhas no meu celular haha. 


- O frio chegou, os dias estão mais curtos, a gente fica com essa impressão porque anoitece às 16h e é estranho.

- Com o frio dando as caras tive que ir às compras! Fui atrás de cachecóis, luvas, gorros, meias, botas, casaco, tudo quentinho. 
Apesar de ter um monte de loja com preço camarada por aí, não cedi a tentação e adquiri pouca coisa ao longo dos meses. Não nego que aproveitei bastante esse momento luluzinha, capaz ainda escrevo sobre minhas lojas favoritas hehe.

- A decoração de Natal tomou conta da cidade, fui pega de surpresa, basicamente um dia era Halloween e no outro Natal. #exagerada
Falando no Halloween, foi uma das semanas mais divertidas na Irlanda! Todo mundo fantasiado, muitas festinhas e eventos, muitos doces, é uma tradição irlandesa e o Rick comentou mais da celebração nesse link.

                                                
Para a diversão deles eu sou lerda e me assustei umas 85341 vezes! #fofuras

  
Vou ficando por aqui sem saber se terá o "10 meses"...

Abraço! ;)

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Dublin Castle

Contei que estamos sem saber o que fazer: voltar ou ficar mais um tempo na Irlanda.

Aí a ficha caiu que a tal volta pode ser já dentro de poucas semanas!

Corri para fazer uma lista do que precisava ver antes de partir (dramática) e vi que ainda tinha muita coisa, vários passeios que não tivemos pressa nenhuma para fazer, sempre com aquela pretensão tranquilidade de quem tinha uma vida pela frente, sabem como é?

Aproveitamos o último feriadão - que coincidiu com os festejos do Halloween - para sermos turistas e um dos passeios que fizemos foi a visita guiada no Dublin Castle.

Comecei a visita com poucas expectativas, não pensei que encontraria informações tão ricas, terminei aprendendo muito sobre a história de Dublin - basicamente a cidade foi construída em volta do castelo - e me surpreendi do inicio ao fim do tour!


Pegamos a última visita guiada do dia e subimos com o guia e um grupo de umas 30 pessoas. 

Na primeira parada ele explicou o que acontece atualmente no castelo, contou sobre personalidades políticas que já se hospedaram ali, como o Nelson Mandela, e comentou rapidamente sobre símbolos irlandeses que vemos nos cômodos.

A parada seguinte foi no quarto de James Connolly, as paredes são vermelhas e tem quadros homenageando os lideres revolucionários de 1916. 


Passamos por outros quartos, salões, corredores, fiquei impressionada com a beleza do castelo, mais uma vez não esperava, acho que vi tanta gente falando que a visita era mais ou menos que inconscientemente fui achando que seria tudo muito chato comum.





Na sala do trono o que mais me chamou a atenção foram os símbolos representando a Inglaterra, Escócia e Irlanda. Me distraí olhando o lustre e ficamos para trás, tinha um outro grupo por ali também, aproveitei que o pessoal estava se acomodando no outro salão para tirar uma foto do trono sem tantas cabeças aparecendo, quando viro de novo... wtf?


Umas criaturas espanholas passaram a cordinha e SENTARAM no trono para tirar uma foto 'cool' e postar no facebook. Porque a foto só da cadeirinha que simboliza acontecimentos do século XVIII não é suficiente, né? 

Fui a chata do museu olhando com cara de reprovação, os pais das meninas viram minha cara e também olharam para trás, quase tive um treco quando a mãe achou legal e correu para sentar lá, Claudia!

Torci para aparecer um segurança, torci para eles passarem vergonha em público, mas nada aconteceu, eles seguiram pentelhando até o final da visita.

E por fim chegamos ao St. Patrick Hall, a parte que achei mais interessante dentro do castelo. 

O salão é enorme e tem várias bandeiras com os brasões dos cavaleiros de St. Patrick. No teto estão 3 pinturas incríveis de Vincenzo Valdre representando a relação entre o Reino Unido e a Irlanda.



Descemos as escadas e do lado de fora o guia contou sobre o dia que a posse do castelo foi dada a Michael Collins e a celebre resposta dele quando cutucado por chegar atrasado: "esperamos 700 anos, vocês podem esperar 7 minutos". 

Pegando embalo no clima do Halloween - e na decoração do Festival Bram Stoker que teve eventos nessa área do castelo - ele também contou uns casinhos de terror, buh!

Ainda no pátio, fiquei intrigada com a estatua da justiça, minha velha conhecida! Explico: tinha uma Têmis - deusa que nós do meio jurídico tendemos a associar com a deusa da justiça - enorme no meu quarto, ela ficava toda bonita comandando minha mini biblioteca de Direito. 

Comprei no começo da faculdade, por muitas vezes ela foi minha companheira de estudos. Dá para entender como fiquei boba olhando a versão do castelo sem os olhos vendados e de costas para a cidade! Um sentido de justiça realmente irônico.


Logo nos dirigimos à Medieval Undercroft, lá pudemos ver vestígios do forte viking, da muralha medieval e da Powder Tower. É surreal imaginar as circunstâncias em que essas coisas foram construídas.

Com o fim do tour fomos conhecer o jardim e fiquei com vontade de voltar para conhecer também a Chester Beatty Library. 


A visita guiada custa 3,50 euros para estudante. Dá para fazer a visita com o audioguia também, mas nesse caso não tem acesso a undercroft. 

O Dublin Castle fica na Dame Street, pertinho da Trinity College, ali no centrão mesmo da cidade.

Abraço! ;)

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Hambúrguer com coisinhas mais

Quando pensava em hambúrguer, pensava na tia da esquina da escola, tudo muito simples e barato, nada muito glamouroso.

Aí cheguei em Dublin e vi que ir ali comer um hambúrguer pode ter todo um conceito envolvido.

O lugar mais legal que conheci foi o Eddie Rocket's, a decoração é sensacional, fiquei me sentindo num filme de sessão da tarde.


Só falta a garçonete nova e desastrada cair no meio do salão derrubando todo o milk shake para o cenário ficar completo.

A Eddie Rocket's tem em vários pontos de Dublin, mesmo preferindo mil vezes andar na rua do que em shopping, fui na Eddie do Dundrum e gostei bastante.


O outro lugar que estava cheia de expectativa para ir era o Gourmet Burguer Kitchen que também dá pinta em diferentes pontos da cidade.

Tinha lido matérias em blogs falando do sucesso da mistura do clássico hambúrguer e produtos mais finos.

Então lá fui eu atrás do hamburgão com queijo camembert ou creme de gorgonzola e mix de folhas. O lugar é legal, o atendimento também, mas o hambúrguer mesmo não vi nada tão impressionante para a proposta que vendem.

Pablo é meio cri cri com gordura e já na primeira mordida comentou que a carne não estava aquela maravilha toda. Meu paladar é menos refinado e só achei a carne um pouco seca.

Pô, tanta firula no sanduba e a carne que deveria ser o diferencial estava sem graça e com qualidade questionável. Mas ok, o conjunto estava bom, os outros ingredientes meio que salvaram.


O hambúrguer não é baratinho em nenhum dos dois lugares. Na Gourmet Burguer Kitchen as opções que escolhemos custou 10 euros cada, sem a bebida incluída. Na Eddie Rocket's há opções e combos um pouco mais em conta.

Não sei se voltaria (a Eddie talvez sim), não é meu lanche de todo dia, como pouco essas comidas de fast food, quando muito 2 vezes por mês.

Já Pablo saiu convencido que é mais feliz e rico numa Burguer King da vida hehe.

;)